
O Projeto Prosa.com vai convidar a cada edição um artista popular, um produtor ou qualquer outra pessoa com trabalho relevante de promoção, pesquisa e difusão das tradições populares na Bahia e no Brasil para participar do bate-papo online. Este mês a Comissão de Folclore convida o documentarista, fotógrafo e produtor musical, Marcelo Rabelo, para o bate- papo sobre o tema “Cultura Popular e Memória Audiovisual”, que ocorre nesta segunda-feira (30 de agosto) às 20 horas. Para participar encaminhe até o dia 28 de agosto o seu endereço no MSN para o e-mail: comissaobaianadefolclore@hotmail.com.
A Coleção Bocapiu é constituída de seis volumes de contos populares recolhidos da tradição oral baiana pela equipe do Núcleo de Estudos da Oralidade (Universidade do Estado da Bahia/ campus II) e adaptados à norma padrão, visando valorizar a diversidade etnocultural na escola, além da utilização da literatura oral e popular como instrumento de práticas promotoras do acesso à leitura. Os textos recolhidos da tradição oral baiana apresentam a diversidade da cultura popular brasileira, portando nossa identidade cultural. O conhecimento dessa diversidade etnocultural e sua utilização na escola como instrumento de práticas promotoras do acesso à leitura contribuem para a preservação e valorização da memória ancestral, produto do imaginário coletivo como um manancial a ser explorado na formação do estilo individual do jovem.
O Acervo Público do Patrimônio Imaterial na Bahia visa disponibilizar à comunidade o primeiro acervo de textos orais e impressos, fotos, dvds, cds, além de biblioteca especializada em culturas populares, tradições orais e patrimônio imaterial na Bahia. O Acervo disponibilizará material de apoio didático e de pesquisa para professores, pesquisadores, estudantes entre outros e se constitui a partir dos acervos do Programa de Estudo e Pesquisa da Literatura Popular/UFBA e do Núcleo das Tradições Orais e do Patrimônio Imaterial das Matrizes Afro-indígenas/UNEB. Situado no Centro Histórico de Salvador, o Acervo será de fácil acesso para a população local e para os visitantes que chegam à cidade. Após a instalação de infra-estrutura e equipamentos, se fará a digitalização/duplicação do material e o treinamento de monitores para atender o público. Serão lançados no final do projeto, durante um seminário e um show com grupos e mestres da cultura popular, um catálogo impresso que apresentará o material coletado e um site que disponibilizará as informações sobre o acervo.
A Bahia, em todas as suas regiões, possui um rico patrimônio cultural popular que se caracteriza pela diversidade de expressões musicais, dramáticas, coreográficas, literárias, culinárias e artesanais, constituído ao longo da sua formação histórica. Esse patrimônio cultural, resultante dos cruzamentos de imaginários e práticas culturais das etnias e grupos humanos que aportam no Estado, é o fundamento e a representação, continuamente atualizada, da memória social do povo baiano. Este projeto prestará apoio e fará a promoção de eventos culturais. A Comissão Baiana de Folclore atua com o objetivo de valorização e preservação da cultura popular no Estado da Bahia. Além da assistência a grupos e mestres populares, a Comissão também organiza e oferece cursos de extensão, palestras e seminários como também vem fazendo o levantamento de acervos de cultura popular, públicos ou privados, existentes no Estado. O Projeto Literatura Viva, prevê a divulgação da Literatura Oral e Popular, atuando diretamente nas escolas, através de seminários, oficinas e publicações de livros e Cds, com textos recolhidos da tradição oral da Bahia
“A obra de Cuíca de Santo Amaro tem uma importância histórica que tem ultrapassado as décadas. Sua personalidade tornou-se icônica como o símbolo da irreverência baiana.”
José Carlos Freitas – poeta e membro da Comissão Baiana de Folclore
Nascido na cidade de Senhor do Bonfim, sertão da Bahia, JOSÉ CARLOS FREITAS, mais conhecido como JOTACÊ, é formado em Pedagogia pela UNEB. Mas é como cordelista que este amante da cultura popular vem se destacando nos últimos anos. Seu folheto “Panvermina e Zabelê nas quebradas do Sertão” foi premiado nacionalmente no Concurso da Fundação Cultural em 2005. Sua obra é marcada por humor e crítica social, tendo em Cuíca de Santo Amaro um dos seus inspiradores. Nesta entrevista, o poeta fala um pouco de sua obra e da importância do mestre Cuíca para a Literatura de Cordel.
P – Quando começou seu interesse pela literatura popular?
Nasci na cidade de Senhor do Bonfim em 1964. Meu interesse pela literatura surgiu aos 15 anos ao ter uns versos elogiados por um poeta local. Conhecia o cordel através da minha mãe que comprava folhetos de Padre Cícero, Lampião e Bocage. Iniciei minha obra com versos livres tendo publicado 06 livros em que experimento concretismo, hai-kai e o ritmo do cordel. Somente em Salvador fui estimulado por um grupo de amigos a escrever cordel. Aceitei como desafio e escrevi folhetos que envolviam a situação de trabalho e fatos locais.
Ao ingressar no curso de Letras da UFBA em 1999, mantive contato com o PEPLP – Programa de Estudos e Pesquisas sobre a Literatura Popular e fiz um curso sobre contos faceciosos minsitrado por Prof. Doralice Alcoforado. Fiquei bastante surpreso com a importância dada a essas manifestações culturais entre as quais se incluía o cordel. Tornei-me bolsista da iniciação científica e tenho me dedicado até hoje a produzir, pesquisar e divulgar a Literatura de Cordel.
P – Além de poeta, que outra atividade você exerce?
Além do Curso de Letras, fiz graduação em Pedagogia na UNEB e exerço a função de arte-educador na EM do Pescador, em Itapuã, Salvador, com crianças de 6 a 15 anos.
P – Como você avalia a situação da produção da literatura de cordel hoje na Bahia?
Poucos poetas investem na carreira por não acreditarem num retorno econômico. Muitos aguardam apoio governamental para verem suas obras editadas, republicadas e divulgadas nas escolas. Por conta disso, em Salvador, poucos poetas publicam frequentemente, mas no interior cada cidade possui o seu poeta de cordel que publica mais esporadicamente. Além desses fatos, novos poetas buscam inovar na linguagem e na apresentação dos folhetos, unindo seu ritmo ao do ‘rap’.
P – A produção baiana tem algo de peculiar em relação à de outros Estados?
A produção a que tenho acesso tem em comum a contemporaneidade dos temas abordados e a aproximação com a linguagem mais coloquial. Ao contrário da maioria da produção nordestina que continua explorando os mitos da seca e a linguagem caipira. Para saber mais notícias sobre o cordel baiano visitem o blog: oficinadecordel.blogspot.com.
P – O seu folheto “Panvermina e Zabelê nas quebradas do Sertão” foi premiado nacionalmente no Concurso da Fundação Cultural em 2005. Qual a importância desse prêmio para a Bahia e que repercussão teve esse fato na sua carreira?
Foi importante para a Bahia devido à renovação que esse prêmio trouxe para a literatura de cordel local fazendo com que diversos poetas retirassem suas obras da gaveta. Houve pouca participação e divulgação em âmbito nacional.
Particularmente minha carreira foi impulsionada e passei a ser mais respeitado e admirado por colegas que até então não conheciam minha poesia, o que resultou em participação em diversos eventos na capital e interior para divulgar, debater e ensinar a fazer o cordel.
P – Qual a importância de Cuíca para o cordel hoje?
Cuíca de Santo Amaro é a maior referência nacional e internacional da literatura de cordel da Bahia. Depois dele vem Rodolfo Coelho e Franklin Maxado. Não estou falando de repentistas ou violeiros. A obra de Cuíca tem uma importância histórica que tem ultrapassado as décadas e sua personalidade tornou-se icônica como o símbolo máximo da irreverência baiana. Como poeta,Cuíca, sentia-se o defensor dos fracos e oprimidos, escrevia contra todos os que atingiam a população com medidas impopulares. Até hoje percebemos a atualidade dos seus versos devido a essa ligação direta que ele tinha com o povo.
P – Como a obra de Cuíca, a sua também se presta à contestação e à crítica de costumes. Na sua opinião, esse papel social da literatura de cordel suplanta o divertimento ou deve-se equilibrar o riso e a crítica?
A crítica de costumes é uma forma de rir de si mesmo em busca do debate, da reflexão e de uma amenização ou solução do problema. Toda a minha obra parte da realidade e, se minha realidade é cômica – se não fosse trágica, nada mais natural que eu brinque com isso, sublimando meus problemas e busque inspiração em Cuíca e em outros críticos mordazes da nossa sociedade como Gregório de Matos, Oswald de Andrade, Barão de Itararé e Nelson Rodrigues.
Quero que o divertimento venha em primeiro lugar, se a crítica for percebida fico feliz. Sou a favor do equilíbrio, apesar de, às vezes, os fatos nos deixarem muito louco, acho que o excesso de crítica pode transformar uma obra de arte em um simples panfleto político.
Se você gosta de fotografar, não imposta se profissionalmente ou de forma amadora, então não perca a oportunidade de participar do Concurso fotográfico “Um Olhar sobre a Cultura Popular Nordestina”, cujas inscrições estarão abertas até o dia 10 de julho. Serão oferecidos prêmios para os dez primeiros colocados e ainda contemplados mais dez candidatos com menção honrosa, sendo as 20 fotografias selecionadas reproduzidas em cartões postais distribuídos gratuitamente. Confira o regulamento aqui.
A Rede Brasileira de Turismo Solidário (Turisol) articula uma série de ações para consolidação de destinos turísticos comunitários, baseados na sustentabilidade da população nativa e na preservação ambiental. Se você tem alguma idéia para fortalecer o turismo na sua comunidade, então procure mais informações sobre esta rede visitando o site http://turisol.wordpress.com/.
As comunidades tradicionais de terreiro das capitais Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Recife (PE) estão sendo mapeadas numa pesquisa sócio-econômica e sobre segurança alimentar, com vistas a propor futuramente políticas públicas para atender este segmento. O Ministério de Desenvolvimento Social, a Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial e a Associação Filmes de Quintal, entidades parceiras responsáveis pela iniciativa, convocam as comunidades envolvidas para participarem desta empreitada. Maiores informações através do e-mail terreirospa@filmesdequintal.org.br ou pelo celular (91).32246711.
O curso a distância “Educação para a Diversidade” está com as inscrições abertas até 07 de junho, capacitando os participantes para atuarem no campo educacional e da diversidade cultural. Para inscrições e outras informações acesse o site www.duo.inf.br ou ligue 31 3224-6700.
A exposição “Nosso Borges” presta uma justa homenagem ao Mestre J. Borges, um grande nome da cultura popular de Recife, apresentando ao público a sua obra em xilogravura e a trajetória do artista popular. Quem quiser conferir vá até o Espaço da Cultura Popular do Recife no Mercado São José, no horário das 9 às 17 horas, mas corra logo porque a exposição estará em cartaz só até 10 de julho. Maiores informações pelo telefone (81) 3232-2319 ou pelo e-mail cultura@mercadosaojose.org.br.